Sobre a (minha) liberdade



“I discovered that when I believed my thoughts, I suffered, but that when I didn't believe them, I didn't suffer, and that this is true for every human being. Freedom is as simple as that. I found that suffering is optional. I found a joy within me that has never disappeared, not for a single moment. That joy is in everyone, always.

—Byron Katie



Imagem daqui.

Vamos Cuscar 22#


Conheci a Sofia, nem sei bem como. Provavelmente por mais um mero acaso das redes sociais, apesar de que certamente, já nos tínhamos cruzado aqui pelas avenidas. A Sofia tem um sorriso rasgado que começa no brilho dos olhos. Da mesma forma, também me chamou a atenção a forma descomplicada e carinhosa como surgiram as MariUp. É sempre tão bom vermos gente assim, que pega num punhado de sonhos e doses suficientes de talento e amor para dar vida ao que antes, estava apenas no papel. Um projecto bonito que está a crescer a olhos vistos e tenho a certeza que vai encontrar o rumo certo, em direcção às casas onde as MariUp vão morar. Quando é feito com esta entrega, só pode dar certo.
Vamos cuscar a Sofia?

Idade: 32 anos
Naturalidade: Lisboa
Comidas preferidas: Pato com ananás
Um livro a não perder: “O Segredo” de Rhonda Byrne



1.         Em dias de Tecnologias, como surgiram as MariUp?
A marca MariUp tem quase dois anos e começou por ser um projeto de ilustração em parceria com uma amiga. De dentro de uma caixinha-postal feita em papel, a MariUp ganhou vida e começou a ganhar ainda mais formas. Foi a partir de 2018 que, com um toque mágico se transformou naquilo que é hoje: uma boneca de pano feita com muito amor e à imagem de quem a quiser. Desde então, a magia acontece todos os dias e diariamente são feitas novas bonecas “Up”.

2.         Ainda há espaço para trabalhos artesanais num mercado tão competitivo dos brinquedos?
Claro que sim e na minha opinião cada vez mais. A cada dia que passa todos nós queremos oferecer algo único e diferente e acredito que as minhas MariUp`s são esse tipo de produtos que ficará para a eternidade. As pessoas e as crianças identificam-se com elas, devido a personalizações que faço.

3.         O que acrescentam as MariUp no mundo das brincadeiras?
As MariUp`s tem dois públicos alvo, crianças e graúdos, e por incrível que pareça têm sido mais os adultos a encomendar para adultos do que para crianças :) Contudo já me chegaram bons feedback das minhas bonequinhas no mundo das brincadeiras. As crianças identificam-se com a MariUp oferecida por ter algo que as retrate, acabando muito por ser o faz de conta do “próprio eu”.



4.         Porquê bonecas?
Inicialmente queria criar algo que retrata-se o dia-a-dia da mulher portuguesa!
Fui ganhando a paixão por costura criativa um pouco antes de ter a minha filha Maria (agora com quase 4 anos). Ela foi desde o início a minha inspiração, reaprendi a brincar novamente e a imaginação foi ganhando asas.

5.         Cada boneca tem uma história. Que história te surpreendeu mais?
Os elogios e as histórias tem sido mais que muitos. Algumas conseguem deixar-me de lagrimita da felicidade no canto do olho. Houve uma rapariga que me fez uma encomenda para a irmã dela de uma MariUp e dois gatos porque os gatos dela tinham desaparecido, e a reação da irmã foi fantástica, saber que posso chegar tão perto dos corações das pessoas é maravilhoso.



6.         Até onde viajam estas bonecas?
Até aos corações das pessoas e crianças!

7.         O que se pensa quando se está a fazer uma nova MariUp?
Pensa-se em encantar e surpreender! Surpreender a mim por uma nova e maravilhosa criação, a quem as encomenda e a quem as recebe!

8.         Às vezes fazes famílias inteiras. É para as bonecas não se sentirem sozinhas?
As famílias são personalizações que me pedem normalmente para oferecerem a graúdos, que acabam por ir parar às mãos dos mais pequenos a brincar de “a nossa família”

9.         Todas as MariUp são personalizadas. Como fazer para pedir uma?
O primeiro passo é preencher uma ficha de cliente super mimosa, onde cada pessoa escolhe as cores que pretende, se quer os olhos abertos, fechados, que tipo de roupa e cores gosta mais, etc. Pedimos que fale um pouco de si, algo que se possa destacar na personalização e dai surgem os primeiros passos para fazer uma nova MariUp personalizada. O cliente acompanha todos os passos das personalizações, sendo que envio fotografias desde o início da criação até à reta final.
Tenho bonequinhas à  venda na minha página do facebook, no NUMOAS- loja de artesanato da Sertã, Convento da Sertã e Mercearia do Largo e estou a criar uma coleção maravilhosa para abrir uma loja online (site) ainda este ano! Fiquem atentas/os!

10.     Este blog chama-se Penso Rápido – pequenos remédios para as comichões do dia-a-dia. Que Penso Rápido usas no teu dia-a-dia?
Dar tudo de mim em tudo o que faço, e foi com este pensamento que comecei 2018 e posso dizer que está a dar frutos maravilhosos!








A Sofia e o Penso Rápido temos esta linda MariUp para oferecer e fazer feliz quem nos tem seguido. Vai ser feito por sorteio e para isso, basta:

1. Colocarem like na página do facebook da MariUp e do Penso Rápido.
2. Identificarem 2 amigas no site MariUp e/ou no Penso Rápido até ao dia 20 de abril. 


11+14=25 de nós.

Tínhamos tudo para dar errado de tão diferentes que éramos e somos. Foi nesse lugar da diferença que crescemos. Felizmente que não acreditamos em princesas e príncipes. Nunca daria certo por estes lados. Somos tão mais verdadeiros agora, mesmo nas desigualdades e que foram essas o maior acrescento a que somos agora. Com não sei quantas arestas por limar sempre e outras tantas que vão ficar para que sejam boas de serem contempladas. Sem baladas, sem rosas, sem vestidos brancos (estávamos de verde, que não o do teu sporting!), nós.

Cada história de amor é bonita e completamente única. Compará-la ou encaixá-la em caixas de viveram felizes para sempre, coloca a fasquia muito alta e tira-lhe o gosto de cada dia. Guardo histórias pequenas tuas, nossas. A da vez em que foste roubar flores à varanda de uma vizinha para me dares. Quando apareceste na lonjura de mais de 200km só para um beijo e abraço demorado de Parabéns, antes do desfile de capa preta, ou ainda ontem, quando suspirava por um doce capuccino e mo foste buscar, apesar da chuva, já horas tardias. Nestes pequenos encontros de nadas e que resumem esta nossa caminhada. Com tantos percalços pelo caminho de quem anda nesta estrada a dois há muito e que já sabe de cor, as incertezas das curvas e contracurvas de tantos obstáculos do caminho, umas vezes responsabilidades minhas, outras tuas , outras vezes a sorte ou os azares dos dias. 

Sou melhor por os nossos caminhos se terem cruzado. Parabéns meu amor, ao nosso amor.


Tempo de escavar


(Ainda sobre a primavera ou algo mais)


"Rebirth is a time to move into the new.  But remember that in order to rebirth something needs to have died.  Getting clear on what needs to be let go of- be it situations, people, relationships, attitudes, beliefs, etc…- is key right now.  The more baggage you can let go of the lighter you will be and the more capacity you will have to move forward and onward in life."

Daqui.


Tic-Tac


No outro dia soube de um relógio, chama-se Tikker que, ao usar, indica em contagem decrescente, o tempo de vida disponível de quem o usa. Certamente polémico. Uns a adorar a ideia por terem mais esta questão sobre controlo, outros a acharem um absurdo. Há quem argumente que assim se promove a consciência de cada dia. Verdade, para quem o for capaz de fazer. Para outros tantos será desgastante esta contagem decrescente de finitude.

Deste lado seria incapaz de o usar. Já me chegam os horários que temos, quanto mais um relógio a dizer que tenho de aproveitar, até ao tutano, cada dia. Sei disso mas a ideia em si, seria esgotante. Como alguém em constante estado de paixão quando, por outro lado, um tranquilo amor, a pautar os dias sabe tão bem.

Por isso o uso ou não é uma questão de atitude perante a vida (ou a morte). A reflexão dos dias e do que lhes queremos dar, o que mais valorizamos. Que importância tem uma caneca de leite derramada, por cima da camisola acabada de vestir para sairmos todos de casa? Ou uma multa, mais uma multa, num mês já de si complicado? Ou um telefonema mal amanhado de alguém de quem não se estava à espera? A lista continua… Será que um relógio consegue ajudar a relativizar o que importa, do que não?

Pessoas bem resolvidas, às vezes já em idade avançada, restringem-se ao que é realmente importante para as suas vidas. A minha avó era assim. Sem relógio a marcar-lhe o compasso. Mesmo com todas as contrariedades da vida tirava o melhor partido de cada dia, com um sorriso no olhar. É um treino diário. Vai haver dias em que se manda tudo ... às urtigas. E outros dias em que tudo parece encaixar, mesmo não batendo nada certo.

Se chegar lá perto, dou-me por satisfeita.
Sem relógio, cada vez, com menos relógio. 








Correr é coisa para cansar

Este ano, segundo o meu cartão de cidadão, faço 42. E por isso mesmo achei graça meter na cabeça fazer 42km numa qualquer maratona. Na cabeça faz tudo muito sentido. Nas pernas e nos joelhos é que não. E no cansaço e nas queixas que não terminam. Mas uma vez metido na cabeça, aos poucos vai-se metendo no coração e por isso o resto do corpo que se aguente. 

Ainda não sei se gosto de correr porque é coisa para cansar. Às vezes sinto-me ao ritmo de um camião TIR com, pelo menos, 10 atrelados a puxar. Assim muito l-e-n-t-a. Mas gosto da sensação a seguir e da sensação para o resto do dia. 

Corro muito cedo. Parece que ando a fazer despique com o camião do lixo cá do sítio. Vou por uma rua e encontro-os, sigo em frente e eles adiantam-se. Até já me vão dizendo bom dia! Aqui a santa terrinha não é muito grande, está visto, mas isso também sabe bem. Sinto-me segura a correr às 6h da manhã, ainda de noite. E esta coisa da corrida é muito de treinar tantas outras como, por exemplo, aquela voz de velhinha de 96 anos a dizer: dói-me o dedo mindinho do pé ou quero dormir ou está frio. Esta última parte nem é assim muito verdade porque ao ritmo a que transpiro, mesmo com desempenho de lesma, sabe-me bem o frio na cara. É só aquele sair de manhã da cama...

Quando termino, envio mensagem à amiga-coache-mai-linda a dizer que está feito, que com paciência de santa orienta e encaminha para a meta. Mesmo a mais de duzentos km que é que nos separa. 

O dia está a clarear, está uma sinfonia de pássaros e o burburinho da ribeira e riachos a acompanhar no caminho de regresso a casa. Verdade, podia ter este contacto todo, tipo National Geographic, bastando apenas abrir a porta da varanda de casa mas aquele momento só meu é uma espécie de reset para iniciar o dia. 


E é isto. Hoje foram 5 e um dia vão ser os tais 42. Até dói... só de pensar. 








Dos dias do avesso: jogo do Monopólio

Recebe-se uma chamada e o dia muda. Tiram-nos o tapete, leva-se com um balde de gelo em cima da mona ou um estalo a velocidade cósmica.

Quem diz uma chamada, diz uma sms, um mail, uma carta, um pombo correio. Algo que mude as energias vigentes do dia. Nessa avalanche de acontecimentos resta sempre e só, cada um. Competindo a cada um mudar o rumo desse seu vendaval. 

Ontem foi assim. Às vezes vai ser assim. Faz parte das regras do jogo em que depois de se ter comprado a rua Augusta e a estação de São Bento, ficamos de castigo na casa de prisão, por duas jogadas a ver os outros companheiros a passarem por nós. Enquanto por lá se está pode-se aproveitar para dizer mal do mundo inteiro e culpar o sistema, a política, as finanças, a chuva ou a falta dela. Tudo menos a si próprio. Ficar nessa casa parado, às vezes (muitas vezes) é um processo de aprendizagem, de pensar mais na resposta, de nos fazermos parte da equação. Enquanto por lá se está que se...

... Respire. Uma e outra vez. Não no sentido de sobrevivência mas naquele sentido de parar e apenas sentir o ar respirar, enquanto os milhentos pensamentos se obriguem a serenar. É que quando nos obrigamos a reduzir o ritmo da respiração, obrigamos os pensamentos a abrandarem o tempo a que correm dentro de nós. Estes pensamentos não ajudam. Apenas tentam atropelar-se uns aos outros.


... Olhe. Olhar com olhos de ver o que temos à nossa volta. O que é nosso e de tão bom e demorar nesse olhar. Seja para o gato de estimação, para aquela planta que andamos a cuidar, para a filha, para o companheiro de longa estrada. Seja que ser vivo esteja ao redor, parar para olhar para ele. E os pensamentos continuam a serem colocados no sítio porque nesse momento, a pirâmide das prioridades muda e o que tem realmente valor, volta ao lugar onde pertence.


... Ame. Primeiro por dentro para que depois passe esse amor para fora. É possível viver sem amor diário mas não se vive tão bem. Entre a escolha da amargura, da zanga, da raiva, que se escolha amar mesmo que às vezes pareça difícil e tão, tão desafiante. Mas que se escolha amar. Amar um pouquinho de cada vez, leva a muito amor, no fim. Merecemos viver em amor. 

E quando nos dermos conta, já é a nossa vez de jogar de novo. Ter paciência neste jogo da vida e acreditar sempre, que somos merecedores de o jogar. 




Imagem daqui.