Escolher

Entrei naquela casa abandonada e encontrei este bilhete no chão:

"Entre agarrar-me à almofada e chorar, hoje escolho rir;
Entre o desespero de não ver uma saída, escolho acreditar;
Entre entregar-me às queixas do tudo, escolho a gratidão dos nadas;
Entre um sorriso amarelo, escolho sorrir com o olhar;
Entre dizer Não às ofertas de cada dia, escolho o Sim ao novo;
Entre acomodar-me ao que já conheço, escolho caminhos novos que escondem descobertas.

Escolher. Todos os dias muitas escolhas, muitas portas e caminhos em aberto. Basta um passo de cada vez."

Peguei no bilhete. Dobrei-o com carinho e quando cheguei a casa, coloquei-o numa moldura. Está pendurado onde todos os dias possa Escolher, entre o que me faz feliz, e o que não.




Zona de (Des) conforto

Por aqui a corrida tem de ser feita de manhã, quando todos ainda dormem. Assim sinto que não lhes roubo tempo. Nesta altura do ano tenho a claridade do dia já a fazer companhia e termina, normalmente com o sol a nascer. 



Há países em que é proibido usar música durante as provas de corrida. É considerada um estimulante. Os meus conhecimentos nestas coisas de descarregar música são muito rudimentares e por isso não há playlist escolhida a dedo. Ligo na minha estação de rádio de sempre só para ter companhia e manter a cabeça distraída para não estar sempre a pensar: "Ainda falta muito? E se parasse já aqui? E dói-me o joelho! Blá, blá, blá...! Com a música vou distraída e serve de motivação ouvir alguém a falar do outro lado. 



O que sucede é que, ao longo destes meses, com as voltas que os phones deram, na bolsa de cintura é que um belo dia...caput!!



Ora era a desculpa perfeita para me enroscar de novo na cama mas afinal não. A voz militar que há em mim, ainda conseguiu gritar lá das suas profundezas:"LEVANTA-TE SUA LESMA!!" E como aquela hora da manhã o meu poder argumentativo era reduzido a um caracol, lá fui com o pensamento a pensar no que iria pensar durante aqueles 40 minutos. Lembrei-me da minha coache-mai-linda quando da sua entrevista aqui em que lhe perguntava precisamente isso: no que se pensa quando se está em prova. 

Calar a voz cá dentro que manda parar e questiona o que se está ali a fazer, para substituir por pensamentos que dizem o contrário e convencem para o caminho, mais do que a meta final. 

Sair sem phones, aquela hora da manhã, sozinha, em ruas que ainda dormem, só com a companhia da carrinha do padeiro que passa por mim umas 5 vezes na sua distribuição, foi e é sair da zona de des-conforto. Dá tempo para organizar as ementas semanais, mandar calar a voz que manda parar, olhar para a ribeira e sentir-lhe o cheiro, e mandar calar a voz que manda parar, ouvir muitos, muitos pássaros aquela hora da manhã, e mandar calar a voz que manda parar, rever a lista de trabalho para aquele dia, e mandar calar a voz que manda parar, aproveitar os aspersores ainda a funcionar aquela hora para refrescar e ... já disse, mandar calar a voz que manda parar?? 

Aproveitar o caminho tanto como a meta. É essa a minha aventura pelas corridas. Passar essa metáfora para o dia-a-dia. 








Quando um trabalho, não o é.

Quando me perguntam o que é que eu faria se ganhasse o Euromilhões (que nunca jogo), entre outras coisas simples, sai-me: construir uma escola como me desse na gana.

Há escolas lindas, onde todos as crianças são bonitas, quer tenham ranho a escorrer, t-shirts rasgadas ou piolhos na cabeça. Onde chorar não faz mal, faz apenas parte do processo. Onde há tempo para aprender, para os professores e para as crianças. Onde a escola teria muito espaço para brincar. A maior parte seria para descobrir, explorar, procurar e fazer muitas, muitas perguntas. Rodeado de muito verde, de animais. De música, de pinturas e faz-de-conta. De ajudar.

Era isto.





Uma das partes do meu trabalho é ajudar a estudar. Chamo-lhe sessões de métodos de estudo. Explico sempre aos pais que não é bem explicações porque não estamos só a falar das matérias. Às vezes (muitas vezes) falamos deles. Às vezes também de mim, porque a modelagem é um processo de aprendizagem, explicado pela Psicologia. Quase tudo tem um objetivo e um prepósito, por isso se calha em conversa falarmos do último episódio de uma qualquer série que andam a ver, isso é aproveitado para refletir sobre eles e nos objetivos que têm para as suas vida e na qual a escola faz parte.

Estudar tem de ser bom. Tem de ser divertido. Tem de saber a doce, mesmo que pareça salgado ou azedo. Eles têm de aprender a rir dos disparates, enquanto vão aprendendo a responsabilizarem-se e assumirem o compromisso que fizeram com eles próprios, sobre as notas que eles querem ter. E também se ralha e se chama a atenção e não é por se estar em ambiente descontraído que se é menos exigente. Ali se aprende a olhar para os livros como aliados, a consultá-los, a fazer esquemas.

Tudo isto só faz sentido se eles gostarem um pouco mais deles, como pessoas e como alunos. Por isso quando estou a estudar com eles, muitas vezes não damos conta que o tempo passa, embora a gestão do tempo também seja acarinhada ao longo daquela hora.

Há dias de maior cansaço. Deles e meu mas na maior parte das vezes sinto que aquilo não é bem trabalho... é uma forma de estar.

Por isso, quando me perguntam o que é que faria se ganhasse o Euromilhões, seria mais ou menos isto, em grande escala e com que partilhasse esta loucura de achar que estudar é sobretudo uma descoberta para o novo.

Inspiração em estado bruto

Demora 60 segundos.

Inspiração para 24 horas... ou mais.



O outro par


Ganhou um prémio num festival de cinema internacional.

E nós ganhamos tudo aquilo que dali queiramos retirar. Para refletir do dia de hoje, para o amanhã. 




A festa de anos

A notícia de preparar um casamento em cinco dias, para ler aqui, fez furor. Para quem terá rios de dinheiro não deve ser difícil mas o sucesso da questão foi ser simples, despretensioso e pareceu-me bastante em conta. A ideia foi simplificar. Ora, tendo o assunto casamento já despachado por estas bandas, e com a festa de anos do mais velho para preparar, pensei... e se fosse possível simplificar?

A vontade de passar mais tempo com os miúdos, do que na cozinha, de não ter uma espécie de esgotamento para que a casa esteja apresentável e toda uma logística para focar no que realmente importa. A D. Alzira (a minha empregada fantasma...) continua para parte incerta, por isso, era arregaçar as mangas. 

Fomos para um espaço escolhido por ele onde puderam correr à vontade, com sombras, vento bom, onde houve bola, escorregas e baloiços. Ah... e de uso livre. A hora de festa foi a partir das 11h e incluiu piquenique que me pareceu que foi um sucesso: mantas e toalhas no chão. Pizzas acabadas de chegar, empadas, salgados, muita melancia, morangos, batatas fritas, muita água e sumo. E pipocas. As pipocas desaparecem sempre e iam em baldes simples para que fossem eles a partilhar. Salame de chocolate e bolo de anos caseiro. Faz parte da tradição cá de casa. 

Uma das meninas disse que nunca tinha feito um piquenique e gostou muito. Não houve chatices, birras e afins? Houve. Há sempre. Só que disfarçaram-se em forma de corrida, com o cheiro bom das árvores, com a ribeira como cenário de fundo. Aprendi a jogar aos zombies e até me consegui sentar um pouco com alguns pais a ... conversar! No caminho para casa disse-me que foi a melhor festa de anos de sempre. 

Este mantra a repetir até que entre cá dentro: Simplificar para que sobre tempo para o que é mais importante. 























Quando o mundo é DELAS

Escalar, todos os dias para lá chegar mais perto. 
Uma colaboração para dizer ao coração que o caminho é por aqui.

Para ver aqui. 




Imagem dele.