Pedrinhas no Sapato

 

Às vezes vamos descansados nas nossas Vidas, a fazer caminho, e há um pedrinha no sapato. Nem tem de ser muito grande. Ela está por ali. E vamos dizendo para nós próprios: “Agora não vou parar. Afinal, é só uma pedrinha...” E distraídos com as muitas coisas que temos de tratar e gerir, parece que nos esquecemos dela mas, de vez em quando, lá está ela a incomodar. Às vezes não dá mesmo para parar, descalçar, tirá-la e seguir a nossa viagem.

Hoje é sobre isso mesmo. Que pedrinhas queremos tirar do nosso sapato? Dar-lhes um nome, identificar, tornar conscientes. Quando damos nome às coisas, elas tornam-se reais e então podemos agir sobre elas. Umas vezes conseguimos fazê-lo sozinhos, outras vezes, é no meio de uma conversa com alguém, quando, as tornamos conscientes, o que nos incomoda, é que surge o nome da tal “pedrinha no sapato”.

As pedrinhas podem ser uma conversa ou mal entendido com alguém, uma pessoa que não nos faz bem (pessoas tóxicas que não contribuem para o nosso desenvolvimento...), um hábito há muito para começar (caminhar, beber + água, ler, estudar...) ou um para largar (roer unhas, excesso de redes sociais...), um sonho ou projeto adiado... Cada um de nós sabe exactamente o que incomoda, que vamos disfarçando mas que, de volta  e meia aparece para incomodar.

Hoje é só essa a sugestão que fica: dar nome às pedrinhas no sapato, que andam a incomodar.




A maior de Nós Todos

 A Maior de Nós Todos faz hoje anos. 

A Maior.

A Maior a dar colo, desde sempre. Tenhamos nós que idade for. Ela está lá. Protege, acolhe, luta por nós e connosco nas inúmeras batalhas que fomos travando, nos muitos desafios que enfrentamos, desde os mais simples, aos outros, aqueles grandes pedragulhos que nos aparecem no caminho. Ela está lá. E não arreda pé.

A Maior a dizer o que pensa, a ter opinião, a pensar connosco e mais além. Vê, como só uma MÃE de verdade vê: com olhos de amor. Com olhos de querer o melhor para nós. Nós, os muitos que temos a sorte e a felicidade gigante de fazermos parte do seu caminho. 

Tenho a Sorte e a Honra imensa de ser a sua filha. Com ela aprendi a rir das adversidades, a ser muito criativa nos cozinhados para a barriga e nos outros cozinhados, os desaguisados que nos acontecem, e que não pedimos. Focada na ação e sobretudo na solução. Um dos legados mais bonitos que me deixa. 

A felicidade a transbordar de gratidão e amor.

Hoje inicia mais uma década. Hoje, celebramos a Vida, a dela, a que toca em tantas Vidas por onde já passou e por onde ainda vai passar. Sei disso, porque ela é assim. Vai, segue caminho, levanta os braços, à procura do que vem a seguir.

A minha Mãe, a Maior de Nós Todos, faz hoje anos. 





2 Factos para Adolescentar

Factos sobre a adolescência, estudados e comprovados pela neurociência, que deveriam de estar, afixados por esse mundinho a fora e não estão:


  • Frases curtas e simples. Aqueles discursos longos, cheios de preciosidades e conhecimentos? Pois, não fazem tanto efeito como ir ao que importa. As aulas de português em que o professor insistia em fazer sínteses e resumos de longos textos? Temos aqui a utilidade deles: poder de síntese!

  • Mais uma fase do desenvolvimento em que aprendem com velocidade da luz. Adultos-comuns-mortais demoram que tempos para adquirir novas competências. Aqui, com tudo a fervilhar ao nível do desenvolvimento, aprende-se o novo, com alguma rapidez. Haja motivação para eles o fazerem. E isso é toda uma outra conversa. 









Construir Pontes

Está impossível. 

Deixa tudo espalhado.

Repito as mesmas coisas 239 vezes ao dia, há várias semanas!

Demora horas na casa-de-banho ou Só consigo que tome banho à força.

Música, música, música! Música, a mesma música, vezes e vezes seguidas.

Tem um caso sério com ... o telemóvel e o PC.

Desabafos que se ouvem aqui e ali. 

É-lhe familiar?

O jovem que agora por ali anda em casa, não foi misteriosamente raptado para um qualquer planeta distante, submetido a uma operação ao cérebro, para depois voltar a casa. Não foi... pelo menos que se saiba oficialmente!

É o mesmo filho e a mesma filha. Só que em mudança. Em grandes mudanças, em muitas frentes, ao mesmo tempo. Como se o que fosse verdade às 7h38 já não fosse às 19h40. 

Este mês, tal como abordado no Gente que Respira, abordamos o plantar: depois das sementes saírem, para onde colocar a nova planta e como cuidar dela? Que é como quem diz, como chegar à conversa com este ser em transformação constante e continuar a apoiar no seu desenvolvimento. 

Duas ideias para começar a construir pontes, (porque elas são necessárias, por eles e por nós):

  • Escutar. Escutar sem julgamento sobre a música preferida (aquela que já ouvimos muitas, muitas, muitas, já referi muitas vezes?), aquela banda m-a-r-a-v-i-l-h-o-s-a; o que os amigos fizeram ou não fizeram; as dúvidas sobre aquela madeixa de cabelo fora do sítio ou a borbulha minúscula capaz de causar a 3ª guerra mundial. Escutar, apenas isso. Interessar-se, ser-se empático, sem julgamento. 

  • Partilhar um interesse. Quando partilhamos interesses, falamos a mesma linguagem. Pode ser uma série, a leitura, passear, um estilo musical... Descobrir esse ponto em comum e divertirem-se em conjunto. A ideia desta viagem é ser também divertida, para que as outras coisas sérias, depois tenham o seu espaço também. 







Vamos a isto?

Aos que ficaram a sorrir.

Aos que se agarraram com força às pernas da mãe ou do pai.

Aos que não queriam largar a mão ou pediram só mais um pouco de colo. 

Aos que viram os amigos, e foram a correr, esquecendo-se da mochila.

Aos que estavam na dúvida mas mesmo assim, deram um passo de cada vez, até ao portão da sala, da escola. E quase que já se esqueciam daquele último beijo de até já.

E aos que, sabendo que no fim do dia, vão ouvir novas histórias, brincadeiras e aprendizagens, fizeram o caminho de regresso, sabendo que uma parte do coração ficou ali e a outra, regressou contente porque sabe, que sendo mais um recomeço, é um recomeço de esperança. 

Vamos a isto?





Voltar devagar

Houve Mães que adoraram estar com os pequenos em casa. 

Houve Mães que entraram em desespero, várias vezes ao dia, de forma repetida, uma semana após outra. 

Houve mães que se dividiram entre serem um pouco professoras, domésticas, trabalhadoras e no meio disso tudo também serem mães.

As mães que se reinventaram com planos, distrações, ginásticas mentais e físicas. 

Houve mães que se culpabilizaram por não serem mais isto ou aquilo, por não conseguirem chegar a todos os lados e partes dos seus filhos. 

Houve mães que conseguiram usar doses generosas de humor, boa disposição e alguma sanidade mental. E houve mães que ficaram tristes, caíram em angústia, ansiedades e com muitas incertezas do futuro. 

Fomos e somos um pouco disto tudo. Às vezes, várias vezes ao dia entre a mãe Ferrari, topo de gama, e a mãe carro de mão. 

O que aí vem, com eles a saírem de novo de casa, e a retomarem, aos poucos, novas rotinas, leva a que tenhamos bem presente que, da mesma forma que levou tempo a nos habituarmos a estarmos com eles em casa e sermos um pouco de tudo (e eles também...), nos demos agora, esse mesmo tempo, para que, aos poucos, encontremos aquilo que nos deixe bem e serenos. Encontrar o novo ritmo, a partir de segunda feira, leva a reajustes. Em alguns casos será uma questão de horas, para outros, levará mais tempo. Lembrar sempre que temos a capacidade de nos reinventarmos, crescermos e encontrar a Nossa melhor solução, não a que funciona com o vizinho de 7º esquerdo ou o que lemos numa revista. Adaptar sempre a quem já somos como família. 

Sejamos as melhores Mães que conseguimos ser, neste momento, com o respeito que merecemos por nós e pelos nossos tesouros mais novos. E está tudo certo.  

Abraço apertado, estamos juntos ❤





Ideia para esta semana

 Ontem, à distância de mais de 100km fui ao teatro com uma amiga, uma companheira de estrada. Cada uma em sua casa, celebrámos os nossos feitos, as nossas conquistas, como Mães e sobretudo como Mulheres resolvidas com uma série de questões, com essa arma poderosa que é rir. Sobre nós e uma com a outra.

Tal como a Ana Brito e Cunha, a Fernanda Serrano e a Maria Henriques disseram:

"Mulheres de sucessos e insucessos que não desiste de existir."


Fica a sugestão.

Link para a página clicar aqui.


Um cheirinho do que por lá se passa: