+ Humor pelo Amor

Fui buscar umas coisas.
Deixar outras. 

Mantivemos uma distância que nunca existiu.
Falou-me de dentro de casa e eu do portão.

Brinquei, disse-lhe que não tomava banho há várias semanas, que o meu cheiro não se aguentava, que se resguardasse. Rimo-nos. A disfarçar. 

Entrei no carro. E a emoção tomou conta. Faz parte. Não está tudo bem mas vai ficar. Quer dizer, apesar de tudo, está tudo bem.
Agarrar a isso. 

Agarrar e segurar o Humor. Pelo Amor.




5 minutos

As vezes que se ouviu essa frase: quando o bebé descansar, descansa também! 

Dentro das possibilidades de cada uma, quase ninguém faz isso. Ou porque é mesmo só pôr mais uma roupa a lavar, estender, passar, ou adiantar as comidas, ou as muitas outras coisas que uma casa-família exige. Com o tempo, com a escuta que vamos fazendo de nós mesmos, percebemos que quando não nos damos esse tempo de paragem, quando eles param um pouco, as coisas não correm tão bem. Quer dizer, tudo está a rolar e a fazer-se mas menos bem por dentro porque faltaram aqueles 5 minutos só nossos, sem culpa do deveria-de-estar-a-salvar-o-mundo. O mundo começa também por dentro. O mundo começa de dentro para fora. 

Nesta tentativa que todos andamos a fazer, de descobrirmos e nos reinventarmos em novas rotinas, hábitos e ritmos dos dias, seja com ou sem trabalho, dentro ou fora de portas, seja com um, dois, três ou mais filhos, a bem de todos, é preciso 5 minutos nossos. Só nossos. 
Sem perguntas.
Sem interrupções.
Sem discussões.
Sem comidas.
Sem roupas. 
Sem arrumações.
Sem limpezas.
5 minutos. Ou mais. Ou menos. O possível. 

Sim. Nem que seja, nesse refúgio maravilhoso da casa de banho. 
Quem nunca. 



Os extremos

Os extremos, os adolescentes e as nossas pessoas sábias, chamados de adultos maduros. É com estes que tem sido mais desafiante passar a mensagem que é preciso abrandar, sossegar, ficar mais quieto. 

A uns porque giram à volta dos amigos, das namoradas, dos namorados porque afinal, o oxigénio que importa é o que eles respiram também e agora há quem venha dizer que Não. Que não podes ir ter ao café, ao centro comercial, que os treinos de futebol, volei, natação estão interrompidos, sabe-se lá até quando. Que até mesmo só aquele passeio de mão dada com a Luísa ou o Manel, está cancelado sem data prevista. 

A outros porque já passaram por muito e é agora mesmo isto que me vai por na cama de um Hospital. Era o que faltava não poder fazer o frango assado ao domingo e pôr todos à volta da mesa, ir ter com os amigos só para mais um jogo de sueca, dar um beijo, só mais um beijo aos meus netos. Sim, é difícil dizer que não a algo que lhes é adquirido, pelos anos, pelas vivências, por merecerem isso tudo. É por eles, por se querer que continuem a fazer isto por muitos, muitos momentos que ainda vão vir, que cada um se recolha à sua toca e se mantém à distância que a proximidade futura nos vai deixar ter, de novo. 

Que haja paciência, com quem tanto gostamos, redobrada, insistente para se persistir, no que é preciso ser feito para o bem de todos. Sigamos juntos, cada um no que é-lhe possível fazer melhor. 









As crianças e este vírus

É como se fosse um espelho.
As crianças e (muitos) jovens, imitam como os adultos agem perante as situações. Seja no trânsito, em situações caricatas ou até nesta situação que se está a viver de muita informação sobre este vírus. 

Felizmente, por cá, ainda tudo muito sereno, com casos efetivamente diagnosticados, mas sente-se no ar um burburinho crescente de informação e desinformação que passa para os mais novos. 

Adultos informados, tranquilos e responsáveis, transmitem segurança a crianças e jovens que só precisam de compreender como agir perante situações que não se controlam. Podemos todos ter mais cuidados com a higiene? Sim. Hoje, amanhã e na verdade desde sempre. Então controlamos o que é possível controlar. 

Esta é mais uma oportunidade de aprendizagem para os deixar falar, fazer perguntas, pô-los a pensar se tudo o que ouvem ou se anda a dizer é verdade ou não. Sermos porto seguro.

Deixo-vos aqui as recomendações, da Organização Mundial de Saúde, com tradução da Ordem dos Psicólogos, para ajudar as crianças a lidar com situações de maior stress, por acaso nesta situação, em relação a um vírus. Poderia ser em relação aos incêndios, que na nossa região, o interior, acontece todos os anos. Resume-se tudo a estarmos nós, adultos, mais atentos, mais serenos, mais conscientes deles e do que nos rodeia. 













Encontrar a respiração

Encontrar formas de respirar, de verdadeiro oxigénio-do-coração, ao longo dos dias, tem sido um desafio quando o relógio insiste em ditar horários. 

Para lá das ações Pais que Respiram, que têm o objetivo de ajudar, apoiar e partilhar com Pais outras formas de respirar na forma de estar com os filhos e sobretudo conosco próprios, continuo à procura da melhor forma de encontrar o passo certo de respiração. No meu caso passa por fazer perguntas e depois encontrar o caminho das respostas que melhor se adequa a minha forma de estar, sentir e querer ser, como mãe, mas sobretudo como pessoa. O papel de mãe está interligado, com tantos outros papeis que temos diariamente, que vejo-o como fazendo parte de um todo. 

Perguntas como:
- Como conciliar o trabalho e o estar com eles?
- De que forma podemos estar mais em contacto com a natureza?
- Como ter tempo de diversão que seja bom para todos? 
- Existe forma de agilizar as inevitáveis tarefas de casa, para mais tempo de qualidade em família?
... e a lista continua!

Acho que à medida que foram crescendo, surge mais espaço para sermos mais nós, sem sermos só Mães ou Pais e isso é bom porque podemos reinventar-nos como pessoas. 

Este ano por aqui, sempre que possível, vão surgir algumas entrevistas de pessoas cujo caminho tenho seguido pela forma como encaram a maternidade, a organização diária, o trabalho, a espiritualidade, a vida em geral. Esta e esta são apenas exemplos. Em breve conto poder falar mais de uma dessas pessoas, de quem já li os livros e que sigo muito frequentemente. Este artigo dela tem muito a ver com aquilo que estou a construir no que considero ser importante, a minha forma de respirar melhor, seja na maternidade, seja como Mulher, seja como cidadã do Mundo. E muito no foco da responsabilidade individual desse caminho, cheio de escolhas diárias, assumidas por cada um de nós. 

Fica a partilha aqui.:)









Nascer mãe

Uma mão cheia de ideias.
Algumas nossas, muitas passadas pelo que vemos e imaginamos que seja.
Cria-se uma ilusão do que será ser mãe.

Depois nasceu Ela. 
E aquilo que achava ser verdade, foi-se a ver e não era. Para descobrir que nascer mãe é um acontecimento diário porque faz ir para fora da zona que achava que era aquela que seria a nossa.

E estou profundamente grata por esse reinventar de ser filha, que me fez reinventar a ser mais mãe, melhor pessoa e a descobrir recantos em mim, através de ti, que não imaginei sequer que existiam. 

A perguntar mais.
A observar, ver para lá do que aparenta ser.
A ir tão mas tão mais longe, numa viagem nossa.
O teu questionar, fez-me a mim, questionar também sobre os porquês dessa mão cheia de ideias que é suposto fazer parte só porque sim.

Que a nossa viagem esteja cheia de pontos de interrogação para chegarmos aos nossos pontos de exclamação cheios de sorrisos.
Tão teus, tão meus, tão nossos.
9 anos de nascer a tua mãe.

Voa alto minha doce Maria.