À procura de respostas

A vida dá cambalhotas, reviravoltas. Levanta-nos perguntas. Perguntas difíceis, sobre questões de morte, de vida, de voltar a acreditar, sobre nós, os outros.

Gosto da matemática. Sim, pode não ser muito sedutor e não é certamente assunto interessante para ser tratado num qualquer evento social...a não ser que seja de matemáticos. Sei que gosto porque sei que para os problemas que coloca, sei que tem uma solução. Mais volta, menos volta, tem solução. Haja paciência e criatividade sábia, para lhe encontrar o caminho da verdade. Da solução certa. E não é uma ciência tão exacta quanto isso. Há tanto caminhos para encontrar a mesma solução...

Parece-me que na vida há tantas semelhanças. Ter a paciência de encontrar-lhe os caminhos, as respostas, mas saber que no fim, haverá uma porta  a abrir. A certa para nós. Ter a grande criatividade de encontrar a magia dos dias, das respostas. Haja paciência e criatividade sábia para lhe encontrar o caminho da verdade.

E esta boa leitura, a fazer companhia neste caminho.










A ela.

Faz mais ou menos 4 anos.

Há mais ou menos 4 anos, ela tinha 1. A vida estava virada do avesso. Aliás, pensava eu. Porque a vida virou-se ainda mais, nos meses seguintes. O primeiro aniversário dela foi marcado pela vontade férrea de não baixar os braços, de acreditar sempre nos dias de primavera e verão, por maior que fosse o frio do inverno daquele ano. E foi gelado. Às vezes ainda penso nele. Para me lembrar das perdas duras. Não faz mal, ajuda a dar importância ao que é importante. A crescer. 

Eu cresci muito nestes 4 anos. E o blog também. 4 anos de blog. Obrigada a quem por cá passa. A quem partilha. A quem tem ajudado a chegar tão mais longe. 

Ela cresceu muito mais. Ela fez 5. A minha doce princesa Pirata, que pediu, porque pediu que não lhe oferecessemos bonecas e que o bolo fosse de dinossauros... "As princesas são muito chatas." E só aí percebi, que ser piratinha, é tão melhor que ser-se princesa.

Obrigada ao blog.

Obrigada sobretudo a ti Maria, por ajudares a crescer tanto e a ver o mundo com um colorido tão melhor. 




Voltar ao ponto.

As vezes o nosso ponto de chegada é o nosso ponto de partida. 
Fazer escolhas, passa por conhecer, desafiar experimentar novos caminhos. 
E não tem mal nenhum, voltar ao que realmente nos faz bem e feliz.

As vezes, o ponto de partida,
ficou à espera que la voltássemos,
com a certeza,
que era ali que pertencíamos. 

Imagem bonita de Darkroom





Limites

Às vezes nem legenda dá para colocar. Nem texto. Poucas ou nenhumas palavras. Às vezes é um desassossego de fora, mesmo que termine em bem, que desassossega por dentro.

Às vezes não dá para mais. Mas dá para ficar quieto, no silêncio... logo que deixem. 

Às vezes é só isto. E faz bem. 









A eles.

Há uma série de anos atrás, ouvi um grande sábio-filósofo-da-vida dizer que amigos a sério, a sério, os contava pelos dedos de uma mão. Um sábio com o nome de Raúl Solnado. Uma frase que na altura me intrigou e que na ingenuidade de quem ainda tinha pouca estrada percorrida e com ainda menos sobressaltos, achou tudo aquilo um exagero. 

Vários (bastantes...) anos depois, confirma-se a verdade. Nas curvas dos dias, são poucos os que realmente estão lá. Não tem mal, não há mágoa nestas palavras, a realidade é como é. A aceitação dos outros, passa tanto pela nossa própria aceitação de erros e limites. Cada um dá o que lhe é possível dar. Cada um de nós, faz o mesmo. 

Uma gratidão por todos aqueles que ficam por perto, mesmo estando longe. Os duros. Grata por eles. 








A vida num improviso

Estava sol por isso era de aproveitar nestes dias de inverno tardio. Uma mochila às costas, petiscos simples, caseiros e bons para um almoço improvisado. Quatro pares de pés em caminho, numa aventura sem grandes planos de antecipação que são os que correm melhor. Deixar a vida de improviso. 

Apenas lhe dissemos que íamos fazer uma aventura e escalar uma montanha alta. A maior, pelo menos que se vê aqui de casa. Um cenário privilegiado, com muito verde sempre e água, onde a onde a salpicar a paisagem, ora em forma de riacho ou de ribeira. Água boa para escutar, como lhes pedimos para fazer, tapando os olhos: "O que ouvem?" 

A água da ribeira!
Os pássaros!

Mais um pouco, cada vez mais a subir. Uma paragem, várias (muitas... mas que importa?). Para apanhar espadas pelo caminho e sabres de luz.E flores. "Já viste esta flor mãe? Colhi para ti! E quando chegamos? Ainda falta muito?"

Está quase, está quase. 

"Ó mãe, já viste esta vista tão bonita...!" E enche-se o coração pela capacidade de contemplação que vão aprendendo e que nós reaprendemos com eles. 

À vinda, na descida, por entre o arvoredo, um pequeno riacho que é preciso passar e uma ponte meio improvisada e que vem dar um colorido bom a esta aventura: "Ai tenho medo! E se não sou capaz?" Sãos e salvos, pedem, quando chegam a casa se podem brincar só mais um pouco antes dos trabalhos e sestas. Cedemos em 5 minutos que se esticaram para quinze. Brincam, num forte, improvisado, feito por eles, na sala, com mais de 10 mantas e cobertores...

A vida num improviso. Tão bom. 













Diz que faz bem 1#: hibernar




Hibernar até que dê tempo de acordarmos para o que nos interessa.
Hibernar para curar feridas.
Para descobrir qual o rumo a seguir, no passo a seguir.

Hibernar porque é sempre uma boa desculpa ficar quieto e ver os outros passar. Às vezes faz bem. Diminuir o aceleramento. Respirar. Viajar dentro de nós. Recuperar forças. Perceber e responder a uma data de perguntas à muito adiadas. 

Ficar ali e diminuir o ritmo da vida. Desacelerar o coração, obrigá-lo a parar um pouco, deixar-se de queixumes e lamurias. Que quando ele pára só lhe faz bem. Às vezes ele corre demais, sente demais. Precisa de sossegar, de respirar em conjunto com os pulmões e perceber o bom que é sentir tomando-lhe o gosto, saboreando as frações do tempo, os gostos e desgostos. Com os desgostos também se dá tempero aos dias, horas e desalinhos da vida. Até que se tenha forças e luz para voltar a acordar, para os dias de sol. 

Hibernar. 


Imagem bonita daqui.