Diz que faz bem 1#: hibernar




Hibernar até que dê tempo de acordarmos para o que nos interessa.
Hibernar para curar feridas.
Para descobrir qual o rumo a seguir, no passo a seguir.

Hibernar porque é sempre uma boa desculpa ficar quieto e ver os outros passar. Às vezes faz bem. Diminuir o aceleramento. Respirar. Viajar dentro de nós. Recuperar forças. Perceber e responder a uma data de perguntas à muito adiadas. 

Ficar ali e diminuir o ritmo da vida. Desacelerar o coração, obrigá-lo a parar um pouco, deixar-se de queixumes e lamurias. Que quando ele pára só lhe faz bem. Às vezes ele corre demais, sente demais. Precisa de sossegar, de respirar em conjunto com os pulmões e perceber o bom que é sentir tomando-lhe o gosto, saboreando as frações do tempo, os gostos e desgostos. Com os desgostos também se dá tempero aos dias, horas e desalinhos da vida. Até que se tenha forças e luz para voltar a acordar, para os dias de sol. 

Hibernar. 


Imagem bonita daqui.






A vontade quando é mais forte

Esta coisa começou mais ou menos há alguns anos. Veio por curiosidade. Foi-se instalando pela espreguiça de um corpo que pede a paz de cada vez que lhe pedem para chegar para lá do que nunca pensou em fazer. 

Primeiro com professor, com aulas e onde seria tão mais fácil continuar, não houvesse ainda as condicionantes dos horários e de nem sempre ser fácil conciliar. Sim, com um livro à frente também cheguei a fazer. Até grávida da minha mais nova. Até que a professora, já nós de 7 meses, disse que talvez fosse altura de sossegar e dar ao corpo descanso (e ao bebé...) que aquilo já não eram propósitos para uma barriga espetada e atrevida. 

Anos depois a vontade persiste. Nestas voltas de encontrar uma solução para os pedidos do corpo, que aqui encontra uma forma de regressar a uma origem qualquer. Não sei. Às vezes parece que sempre fiz isto, que aqui me encontro. 

Não querendo desistir desta ideia pus-me a procurar e encontrei este canal. Estou há quase 3 meses para concluir este desafio de 30 dias mas já falta pouco. Para quem nunca fez é simples para começar, tem noções básicas e é muito explicativo. Para quem já tem algumas noções é passar alguns dias para frente que começa a ser mais desafiante. E depois há também a escolha de outros vídeos: yoga para dores de costas, dias difíceis, para o final do dia... enfim, é só escolher. 

Isto tudo só para dizer e reforçar que em querendo se encontra forma de lá chegar. Pode não ser logo quando a vontade nos impulsiona mas em querendo, em sonhando, em procurar o que nos faz sorrir por fora e na alma, persistindo, com a calma dos dias como se quer ou à velocidade que o coração dita, chega-se lá. E eu sei, que um dia lá vou chegar. Com, ou sem pedido ao Pai Natal.


Namasté.









Que título?

Por motivos de trabalho é precisar pesquisar muito, conhecer histórias novas, gentes por esse mundo fora. Há uma vontade de descobrir o novo, compreender um pouco mais a alma e a vontade humana. Seja ela boa ou ... sem possibilidade de ser qualificada.

Há realidades tão distantes, frias, tão irrealisticamente verdadeiras, que a simples leitura cria náuseas, uma sensação no corpo muito forte. A mente quer rejeitar, aquilo que os olhos lêem. Mas são verdades, aconteceram mesmo. 

Duas histórias para ler, aqui e aqui. Um livro que é preciso ler e não sei bem como. E se Yeonmi Park descobriu uma razão para viver, muito sentido fará que cada um dos restantes de nós, a descubra. E se não for possível chegar ao deserto da Coreia do Norte, que se comece ao nosso lado.

Pensei muito se faria sentido colocar este discurso aqui. Pela dor, pela crueza real. Não divulgar é um pouco como não passar a palavra. E é preciso passa-la muito e bem alto. Haja liberdade para ver ou não. Ficará ao critério de cada um que felizmente a temos. 



Em balanço do dia de hoje este sentimento de gratidão por tudo o que se tem, umas coisas mais garantidas do que outras é certo, mas gratidão. Muito mais do que tudo o que se possa ainda vir a ter, é compreender e sentir tudo o que já se é e se tem. Fazer uma lista de três coisas pelas quais se estar grato. Tão, tão simples. Estar grato no presente, seguindo em frente. Perceber que podemos todos fazer mais e melhor. Todos os santos dias.






Porque é 2ª - 2#

Para hoje, para amanhã, para os despois-despois-despois-de sempre.




Imagem daqui.

Indignação em forma de factura

Hoje chamara-me de distraída.
Não foi bem desta forma mas foi como se fosse. 
E aquilo aborreceu-me assim até às entranhas.
Certo e sabido que não sou um ás nos papéis. Que se puder fazer o pino (que ainda não sei fazer mas chego lá) em vez de tratar de facturas, papéis, IVA´s e organização de papeladas, eu faço. Até faço o pino invertido e aos saltos. 

E fiquei a pensar porque me aborreceu aquele comentário cru. E lá descobri. Tal como muito boa gente, levanto-me muito cedo, todos os dias. Não há cá mordomias de quem me passe roupas a ferro, ou limpe a casa. Trabalho muito, muito fora e dentro de casa. Cuido de duas crianças lindas que estão a crescer bem, penso na alimentação deles, se vão bonitos e limpos, se andam felizes. Não o faço sozinha, eles têm um pai presente e eu um companheiro ao meu lado. Trabalho muito, muito fora de casa, nem sempre nas melhores condições neste país que temos, que gosto muito mas que detesto em igual proporção nas suas particularidades de deixa andar e cuida pouco, de quem faz muito, muito. 

O meu trabalho é olhar pelos outros. Amo, profundamente, tudo o que faço. De paixão e entrega. Sei que, havendo dias de oscilações de desempenho, sou atenta aos outros. Cada macaco no seu galho. O meu galho é este. Por isso, sou distraída sim, com os papéis, mas não me tomem por distraída em todo o resto. E agora estou a imaginar um palavrão grande. Cada um que imagine o que quiser, deixo isso à liberdade de quem lê.

... (palavrão!) os papéis e papeladas!!!

E sim, boa semana!

P.S.: Eu...um dia destes.





Zoom

Puxa para a frente, para trás. Foca e desfoca.

Muito pormenor, ou só um deles. Os pormenores, os temperos dos dias.

E só quando se vê o quadro todo, é que todo o quadro faz sentido. Como os dias, os momentos, as fases. 

Este livro bom, visto hoje, em jeito de sobremesa a seguir ao almoço. Eles gostaram e eu também. 












Sshhhhht, escuta.

As vezes há tanto para dizer e os dias calam-nos.
Calam-nos com as suas urgências e importâncias. 
Muitas vezes que não são as nossas e que sem que nos apercebamos, nos caem em cima em magotes.

Há dias para silenciar os dias e apenas ouvir o que ele nos tem para dizer. 
Porque todos os dias, o dia tem algo para contar. 
Há dias para ouvir. 
Como o de hoje.








Florinda com a Laurinda e o Roberto.




Florinda a fazer-se de difícil e em pose de contemplação gaivotal.




A minha amiga Florinda.