Ainda é tabú

Ainda não se fala muito nisto. Pelo menos abertamente e com naturalidade. 

Os homens encolhem-se só de pensar que vem aquela altura do mês porque: "uhhhhh...ela transforma-se numa criatura bizarra!" e as mulheres, bom, parece que uma pessoa se deve rezignar à sua sorte.

Bullshit!!

Um texto escrito pela doce Filipa Veiga com tanta naturalidade, neste respeito bom que é o corpo de cada um de nós. Neste caso em particular, o corpo de cada uma de nós. Tão bom, tão bonito. No contexto do meu querido yoga. 

"De facto, na Índia, de acordo com a tradição brahmane, as mulheres descansam nos dias de ciclo menstrual. São ajudadas pelas outras mulheres da família para que descanse e durma. O respeito pelo corpo feminino tem no Oriente uma atenção que nós, no Ocidente, tendemos a esquecer. A verdade é que o ciclo menstrual é muito delicado e pode ser afetado pelo stress, por alimentação pouco nutritiva, pelas viagens, pela falta de exercício ou exercício em demasia.
O primeiro passo é estar consciente do nosso ciclo, que reflete o estado da nossa saúde física e mental. É normal que os problemas adquiram maior intensidade nestes dias e, portanto, um excelente momento para os examinar e encontrar soluções. É um momento de consciência, de sensibilidade, de procurar encontrar o nosso lado feminino, de olhar para dentro."
texto todo aqui


Escolhas.

Insiste.

Persiste.

Não desiste.







Parecia o demónio - parte II ou a Saga continua

A reação ao texto do demónio fez-se sentir com muita gente a falar dos seus demónios em casa. Deve-se alguma praga característica mais desta altura do inverno. Não sei. E parece mais ou menos comum. Tipo como...pôr o dedo no nariz. Ah, é verdade isso ninguém faz. Pois claro.

Em conversa hoje com um amigo, falávamos sobre este fenómeno que mais parece uma moléstia que se apodera das pessoas, quando nos lembrámos das repercussões que este demónio tem nas pessoas. Ficam, na verdade, possuídas.

Há nas duas versões. 
Quem acha que está acordado e quem tenta acordar.
Na primeira temos quem se deixa dormir e jura a pés juntos, ou melhor deitados, que não o estava a fazer. De nada adianta mostrar o fio de baba que entretanto fico a escorrer, ou o cabelo desgrenhado e melhor (ou pior...) a falta de lucidez demonstrada.

"- Acorda, vá, vai-te deitar na cama!
- Quem, eu?!?! Nem tenho sono! Não vez que estou a ver na TV o ughigrunflekj jkljkl..." e apagou-se de novo. 

Pior mesmo só a segunda tentativa em que se tenta, de novo, com enorme paciência, voltar a acordar o ser que está possuído pelas demoniacas mantas, cobertas, almofadas e conforto do sofá. Entre tons de vozes alterados, palavredados pouco contidos e salpicos de baba fresquinha a escorrer, surge um monstro diante de nós, transformado, mesmo que seja a partir da pessoa mais dócil, acordada há muito poucas horas. 

1 para o demónio, 0 para o ser amorfo.

Em relação à outra versão, a quem tenta acordar o monstro, sabe-se pouco. Apenas que ouve o que não quer, raramente responde e tem paciência até transbordar de uma caneca de chocolate quente. 

Vou agora, só ali enroscar-me mais um pouquinho. Este embalo do sofá, corresponde à versão de adulto de uma alcofa de bebé: aconchega, reconforta e sabe tão bem o sono que por lá desmaia. 







Gente interessante e gente que interessa

Este é um ano de viragem. Começou em setembro, quando entrei neste último ano dos trinta. Ser mais feliz todos os dias, sentir-me mais satisfeita e respeitar cada vez mais a pessoa que sou e quero ser. Blá, blá que parece tirado de uma qualquer revista amarelo florescente. É uma verdade. Ponto.

Aparentemente tudo simples, não houvesse um sem números de condicionantes diárias: as que existem e as que inventamos para nós.

E há palavras que me voltam sistematicamente à mente. Julgo que serão as minhas verdades. Coisas para me apropriar. Como esta:



Ou esta, referente a focar. Lembro-me sempre desta imagem:





Outro pensamento recorrente é o de portas a fechar. Ciclos que se precisam de fechar, desvalorizar, como aqui.

São as minhas verdades. É verdade também que complicamos muito e que nos focamos muito no Não, em vez do Sim. Em gente que não nos interessa e não falo mal dessas pessoas. As pessoas que não nos acrescentam a nós, felizmente e certamente acrescentam a outras pessoas. Assim como nós. Somos pessoas sem interesse para uma data de gente. Ainda bem.

E depois há tanta gente com quem podemos aprender, ver novas perspetivas, novos horizontes, perceber que há mundo imediato, para além do nosso mundo. É o que acontece quando viajamos e vemos paisagens diferentes das nossas. É o que acontece quando nos permitimos ver outras geografias humanas, para além das óbvias e das habituais.

Design e Felicidade. Com este aqui.
Gente interessante e gente que interessa. Tão simples.



Parecia o demónio

Um dia inteiro.

Muitas horas. Várias, muitas pessoas e vozes na cabeça. E à volta. Não pára de haver pessoas à volta.

Chego a casa. Muitas coisas, sempre para fazer. Cheiros e sabores na cozinha. Pedidos urgentes, são sempre urgentes os pedidos dos meus gigantes-pequenos, mais uns jeitos ao ninho, às roupas e plumagens.

Mais de 15 horas depois aterro ali. E aterro sem grandes paragens pelo caminho. Apenas aterro, com ares de avião que passou por uma qualquer guerra mundial e só quer poisar o seu nariz. Aterro. Ponto.

Já viram gatos a aninhar-se num cesto felpudo e quentinho? Aninho-me nele. E por lá fico, na esperança que dali ainda consiga sair com vida, lucidez e energia suficiente para só mais um pouco. Há sempre mais um pouco, não é? Às vezes vão agendas, cadernos e canetas atrás, naquela esperança tola e ingénua de quem acredita que ainda vai fazer só mais um pouco. Sim, sim...

Há um silêncio que rodeia. As vozes, as muitas vozes sossegam. As urgências também. E ele, muito sedutor, tanto que parece o demónio. Recosto-me e sinto a respiração a acalmar, numa entrega quase ingrata de quem sabe que já perdeu. Ele ganha quase sempre. É demasiado tentador. Sinto os músculos a ceder. Penso que será desta que irei ver, ou acabar de ver, a série que ontem, (ou foi antes de ontem ?), comecei. Os filmes já quase que desisti. Ele não me deixa.

Quando dou por mim, estou rendida. Caem os cadernos, a agenda, até já o pc desapareceu do raio de ação e visão. Novamente, ele vence.
Maldito sofá, parece o demónio.




Inícios

Início da semana.

Inícios de novos ciclos. Ainda. Um ciclo tão bom de trabalho que me desafia, puxa para alguns limites e no qual me redescubro. 

Uma encomenda que chegou hoje e pela qual estou grata. 

Porque a felicidade continua a ser uma escolha, mesmo em dias cinzentos, com o sol a dar o ar de sua graça.