Põe a mão na mala. Nada.
Volta a mexer. Nada.
Um ligeiro pensamento de pânico miúdo trespassa-lhe a mente: "E se...".
Novamente vasculha tudo entre bolachas, agenda, lenços, chaves. Nada MESMO.
Pensa como é que vai recuperar o telemóvel que acaba de deixar em casa dos amigos? Amigos estes que se mudaram agora de casa, por isso, não sabe movimentar-se nesta grande cidade para ir lá ter. Foi ele, que simpaticamente a deixou à porta da clínica onde ia ter consulta, logo a seguir ao almoço.
Nada.
A história acaba por correr bem. Lá se lembra do único número de contacto que sabia de cor (a casa dos pais!), amigos em comum, e pediu-lhes o contacto deles. Recorreu a uma cabine telefónica (será que ainda existe? funciona?) e conseguiu.
E enquanto se dirigia para o local de encontro, com hora marcada (que não havia telemóvel para outras combinações ou desmarcações) pensou naquele dia, cheio de percalços. Nos porquês, nos sobressaltos e desvios de um dia, que tinha começado, já por si, de forma tão atribulada.
E às vezes não há explicações. Às vezes aceita-se o descontrolo do dia, imprevistos e tira-se o melhor partido dele. A espera. Sem sms, sem agenda eletrónica.
Apenas a conversa com um senhor na paragem de autocarro a precisar de orientações.
Apenas esta folha e caneta. Este novo texto. E este sol, tão bom.
Deixar o descontrolo das situações ocorrerem porque nada mais há a fazer. O telemóvel vem a caminho.
Neste silêncio, que até sabe bem, até o olhar estranho de quem passa e não percebe o que é que aqui se passa: parada no passeio a escrever. E apenas esta folha e caneta. Simples.
Dar uma cambalhota
Levanta-se. Arrasta-se corredor a fora até ao wc. Liga o chuveiro. Quase que adormece encostado à parede. Enfia-se por baixo da água quente. Ahhhh, tão bom! Mas é melhor despachar para poupar na água, na conta e no tempo.
Veste-se num instante. Olha para o pão de forma. Tão bom agora fazer uma tosta mista, beber uma meia de leite. Melhor não. Aquilo deve engordar, faz mal à saúde e leva a atrasos.
Entra no carro e que música boa! Melhor não. Ouvir uma estação de rádio mais convencional, onde passem as notícias, os debates, as últimas cotaçoes de bolsa, os sinais de crescimento de mercado. Logo, se houver tempo, logo se há-de ouvir.
Queria ainda telefonar à "amiga"...quem sabe se é hoje que lhe sai aquela frase e ela perceba. A esta hora ... melhor não. Pode ter acordado mal-disposta, rabugenta e então é que não consigo nada. E gosto tanto, tanto dela.
E quase a entrar para o edifício, para onde vai estar enclausurado 8h, 9h ou talvez 10 h, olha para o lado. Um relvado lindo, verde. Muito verde com estes primeiros sinais de raios de sol a sério. Vários e muitos tapetes coloridos espalhados. Um grupo de crianças, entre os 3 e os 4 anos, sentados em roda, à espera do que o educador lhes diga. Então, um a um, levantam-se e colocam-se em fila.
Faço ou não faço? Melhor...SIM!
Segue passos rápidos. Como se a vida, de repente estivesse toda ali. Atira com os sapatos, a mala. Chega junto do educador e diz:
" Posso dar uma cambalhota?"
O educador, estranhando apenas um pouco, afinal passa o dia com crianças, diz-lhe que sim. Que fizesse favor. Que escolhesse o colchão com a cor preferida.
E então rebola. Uma e outra vez. E os miúdos, enfileirados, seguem-lhe o exemplo. Não estranham. Afinal, raramente adiam o que querem fazer. Só quando lhes dizem. Ordenam. Afinal, deviamos todos, fazer muito mais, aquilo que nos faz feliz.
Veste-se num instante. Olha para o pão de forma. Tão bom agora fazer uma tosta mista, beber uma meia de leite. Melhor não. Aquilo deve engordar, faz mal à saúde e leva a atrasos.
Entra no carro e que música boa! Melhor não. Ouvir uma estação de rádio mais convencional, onde passem as notícias, os debates, as últimas cotaçoes de bolsa, os sinais de crescimento de mercado. Logo, se houver tempo, logo se há-de ouvir.
Queria ainda telefonar à "amiga"...quem sabe se é hoje que lhe sai aquela frase e ela perceba. A esta hora ... melhor não. Pode ter acordado mal-disposta, rabugenta e então é que não consigo nada. E gosto tanto, tanto dela.
E quase a entrar para o edifício, para onde vai estar enclausurado 8h, 9h ou talvez 10 h, olha para o lado. Um relvado lindo, verde. Muito verde com estes primeiros sinais de raios de sol a sério. Vários e muitos tapetes coloridos espalhados. Um grupo de crianças, entre os 3 e os 4 anos, sentados em roda, à espera do que o educador lhes diga. Então, um a um, levantam-se e colocam-se em fila.
Faço ou não faço? Melhor...SIM!
Segue passos rápidos. Como se a vida, de repente estivesse toda ali. Atira com os sapatos, a mala. Chega junto do educador e diz:
" Posso dar uma cambalhota?"
O educador, estranhando apenas um pouco, afinal passa o dia com crianças, diz-lhe que sim. Que fizesse favor. Que escolhesse o colchão com a cor preferida.
E então rebola. Uma e outra vez. E os miúdos, enfileirados, seguem-lhe o exemplo. Não estranham. Afinal, raramente adiam o que querem fazer. Só quando lhes dizem. Ordenam. Afinal, deviamos todos, fazer muito mais, aquilo que nos faz feliz.
O corpo prega partidas
Às vezes perde-se a voz.
Outras vezes acontece dar-se um mau jeito ao pé e ups, uma entorse.
Perdem-se os sentidos e cai-se escada abaixo. Braço ao ombro por uns dias.
Outras vezes são os pulmões, cansados de tanto correr que pedem descanso.
O corpo avisa quando a mente não tem juízo. Corre-se muito hoje em dia. Literalmente, de um trabalho para o outro, de casa para o trabalho, do trabalho para ir buscar os meninos, o namorado, o piriquito! Corre-se para ir ao ginásio, para vir de lá e a correr ir dar um beijo aos amigos. E no meio destes atropelos de nós, o corpo vai avisando, primeiro devagar e de mansinho, só com um desvio da tensão arterial, uma constipação, ou uma rouquidão. Quando não se quer ouvir...fica-se de cama, no sofá. Fica-se a marinar em banho maria, até que corpo e mente se voltem a encontrar.
O corpo prega partidas e chama-nos à razão. Primeiro baixinho a sussurrar, depois aos gritos, até que finalmente se pare de correr.
Melhoras para todas as constipações, fungadelas, entorses, tensões arteriais e braços ao peito por aí. O corpo prega partidas, ai prega, prega :)
Outras vezes acontece dar-se um mau jeito ao pé e ups, uma entorse.
Perdem-se os sentidos e cai-se escada abaixo. Braço ao ombro por uns dias.
Outras vezes são os pulmões, cansados de tanto correr que pedem descanso.
O corpo avisa quando a mente não tem juízo. Corre-se muito hoje em dia. Literalmente, de um trabalho para o outro, de casa para o trabalho, do trabalho para ir buscar os meninos, o namorado, o piriquito! Corre-se para ir ao ginásio, para vir de lá e a correr ir dar um beijo aos amigos. E no meio destes atropelos de nós, o corpo vai avisando, primeiro devagar e de mansinho, só com um desvio da tensão arterial, uma constipação, ou uma rouquidão. Quando não se quer ouvir...fica-se de cama, no sofá. Fica-se a marinar em banho maria, até que corpo e mente se voltem a encontrar.
O corpo prega partidas e chama-nos à razão. Primeiro baixinho a sussurrar, depois aos gritos, até que finalmente se pare de correr.
Melhoras para todas as constipações, fungadelas, entorses, tensões arteriais e braços ao peito por aí. O corpo prega partidas, ai prega, prega :)
A dieta
Fala-se muito de alimentação saudável. De uma dieta regrada, equilibrada e variada. Sem exageros, nem excessos. Perder peso, mantê-lo ou ganhá-lo. Há para todos os gostos e credos. E Credo! É mesmo a expressão quando se pensa em dietas. Porque é muito bom comer e saborear a comida sem o peso de se comer. Porque se pode comer bem e a saber bem, tendo todo o prazer que faz parte de olhar, saborear e ingerir os alimentos.
Sobre isto muito se fala e divulga.
E sobre outras dietas? As dos pesos de alma, dos dias? A dos pesos das pessoas que se carregam às costas? Das situações desconfortáveis? De uma outra situação desagradável, do trabalho, da família?
São pesos capazes de fazer os outros pesos, parecerem plumas leves e soltas. Há por aí muita gente obesa, balofa, com pesos toneladiónicos. Há por aí gente capaz de carregar os seus pesos e o dos outros. E aquilo incomoda, faz contorcer o olhar dos dias, a leveza da vida, que também existe em cada um de nós. Por isso, cada vez mais importante, tem sido recomendada a dieta de dentro, de alma, de espírito.
E depois destas filosofias todas... que se ponha em prática, já esta dieta simples. Façam-se listas do que nos pesa. Encontrem-se soluções, alternativas para os descartar. Alguns são demorados como contas ou questões financeiras. Outros têm a ver com pessoas, que fazendo-nos mal, continuamos a insistir em carregar com elas. As situações de conflito, o trabalho... seja o que for. Mas que se mude a perspetiva, que se tire esse peso de cima e se resolvam os assuntos. Que se comecem a resolver de vez. Agora. Já. Ontem.
E a bem dizer, se tanta gente começa a trabalhar para a época balnear em janeiro... muito interessante será ter uma mente livre e liberta para fazer topless.
Era um umbigo lindo de morrer
Não era um umbigo qualquer. Não sanhor. Era assim... uma perfeição. Com a curvatura certa. A antever que por detrás das pregas de pele, estaria um mundo por descobrir. E mais. Sem ponta de cotão. Não sanhor, que aquilo era um umbigo asseado. Era um umbigo lindo de morrer. Sim sanhor.
E quantas vezes se vai para casa a magicar naquilo que o outro disse? Quantas? Hum, confesse-se. A pensar naquela expressão. Naquela piadita de mau gosto. Quantas? Há, inclusive quem perca o sono, a fome, a vontade de fazer práticas tão bonitas do amor, só, só a pensar no que a Belmira do 3º direito disse. Ou o Nunes, do escritório do lado. E a outra, a loira da loja da frente, sempre ali a pavonear-se...
A verdade é que é tudo uma questão de umbigo. Ora formemos um pensamento coletivo. Sabem quanto tempo o Nunes ficou a pensar na piadola que mandou? Nem um décimo de segundo! Nem a Belmira que está é preocupada com os cabelos brancos que lhe começaram a aparecer. Nem a loira da loja que, afinal, está a pensar que a ruiva do fundo da rua tem melhores manequins na montra do que ela.
A grande maioria está a pensar NO SEU PRÓPRIO UMBIGO! Não generalizando, é claro, mas esta ideia acaba por ser extremamente tranquilizadora. Porque quando se dá muito peso a situações que não o merecem (e a grande maioria, não merece mesmo!) é pensar no umbigo e aceitar que aquilo com que o outro nos quis atingir não vale o tamanho de um umbigo: disparou, atirou e..... ups, esqueceu! Justifica ficarmos a contar carneiros durante uma noite inteira, por causa do Antuntes? Não justifica, não sanhor. O Antuntes já está noutra.
Relativize-se. Porque na verdade, a maioria está a pensar no seu próprio quintal...ou umbigo lindo de morrer. E sem cotão, se faz favor.
A sós.
(Banda sonora boa para este post
http://www.youtube.com/watch?v=umjDHyfKxO8.
Sugestão de um dos meus blogs preferidos - http://asnovenomeublogue.clix.pt/)
Às vezes há muito barulho. Muita cor. Muita confusão. Muitas palavras. Ideias a percorrer as almas, os corações. Muita festa, muita luz. Imensos horários e prazos a cumprir. Às vezes é assim. Tanto que se se deixa de ouvir. Cá dentro uma voz que clama em não desistir. Um desconforto que agita, sabe-se lá de onde vem. Um respeito necessário e urgente. Às vezes é assim. O coração ligado à boca, os pulmões aos ouvidos. Num todo harmonioso disfuncional que funciona. Mas menos benzinho.
E então pára-se tudo. E fica-se a sós. A ouvir a respiração. A sós. Por uns momentos a apreciar o que vai cá dentro e pôr em ordem, os dias, os caminhos que se querem trilhar. Dar-lhes voz. A nossa.
No Yoga há uma ideia que diz mais ou menos isto: a mente funciona como macacos numa árvore - raramente estão parados. Há sempre um a saltar de um lado para o outro. Tal como os pensamentos e as emoções da mente. E torna-se urgente ficar a sós, connosco, só porque é importante, muito importante fazê-lo. Por nós. E muito pelos outros que não querem, nem têm que levar com o caos que vai cá dentro. Mas principalmente por nós.
Sossegar os macacos. Ou os pensamentos. Ou o que se queira. Mas às vezes é momento de sossegar, a sós. E a seguir parte-se para o verbo agir. Até lá, pshhhhh...a sós, sabendo de antemão que estar a sós, não quer dizer que se sinta sozinho.
http://www.youtube.com/watch?v=umjDHyfKxO8.
Sugestão de um dos meus blogs preferidos - http://asnovenomeublogue.clix.pt/)
Às vezes há muito barulho. Muita cor. Muita confusão. Muitas palavras. Ideias a percorrer as almas, os corações. Muita festa, muita luz. Imensos horários e prazos a cumprir. Às vezes é assim. Tanto que se se deixa de ouvir. Cá dentro uma voz que clama em não desistir. Um desconforto que agita, sabe-se lá de onde vem. Um respeito necessário e urgente. Às vezes é assim. O coração ligado à boca, os pulmões aos ouvidos. Num todo harmonioso disfuncional que funciona. Mas menos benzinho.
E então pára-se tudo. E fica-se a sós. A ouvir a respiração. A sós. Por uns momentos a apreciar o que vai cá dentro e pôr em ordem, os dias, os caminhos que se querem trilhar. Dar-lhes voz. A nossa.
No Yoga há uma ideia que diz mais ou menos isto: a mente funciona como macacos numa árvore - raramente estão parados. Há sempre um a saltar de um lado para o outro. Tal como os pensamentos e as emoções da mente. E torna-se urgente ficar a sós, connosco, só porque é importante, muito importante fazê-lo. Por nós. E muito pelos outros que não querem, nem têm que levar com o caos que vai cá dentro. Mas principalmente por nós.
Sossegar os macacos. Ou os pensamentos. Ou o que se queira. Mas às vezes é momento de sossegar, a sós. E a seguir parte-se para o verbo agir. Até lá, pshhhhh...a sós, sabendo de antemão que estar a sós, não quer dizer que se sinta sozinho.
A teimosia de ser surfista
Há assim um conjunto de pessoas que teimam em ser surfistas. Teimam, por vezes por teimosia, uma desmesurada persistência e outras vezes, na maioria delas, por convicção.
facebook: https://www.facebook.com/collages.mgirao
Uma convicção de valores e princípios. Um respeito tremendo por ideias em que acreditam. Pelas quais se debatem diariamente. São de uma fibra própria. E alimentam-la constantemente. A vontade e a busca constante pela sua onda perfeita, recusando-se a andar em mares serenos, tranquilos, com águas morninhasnhas, mesmo nhas, leva a grandes embates com a própria onda, com as ondas dos outros e a quedas valentes. A momentos dolorosos em que se questiona muito sobre..."É mesmo por aqui que eu...?"
Partilhar momentos e episódios de vida destes surfistas é fascinante porque nos reforça as nossas próprias convicções, sonhos esquecidos ou guardados confortavelmente na gaveta do "Depois logo se vê..." ou das tais águas "nhasnhas".
Não se imagine que tenha de ser algo extraordinário, como descobrir uma cura fabulosa ou um novo foguetão amarelo com xadrez violeta. Às vezes podem ser coisas simples. Apenas sair das convenções normais e encontrar formas de estar e viver que se adequam ao próprio. Num respeito imenso por si. E na verdade pelos outros. A verdade tem de ainda compensar ... não é?
Por isso há formas tão boas e originais de se viver a dois, e com ou sem filhos, de viajar, de trabalhar, de comidas diferentes e de arte.
Como esta arte criativa que se segue. O que gosto no conceito do A New Day e nas Collages Margarida Girão é a honestidade, nos princípios, numa série de convicções que aliam sentido estético, criatividade inteligente, associados a uma preocupação ambiental e humanitária sempre presente. Vale a pena espreitar.
design: www.margaridagirao.com
loja online: www.anewdaystore.com
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