E o computador foi-se!

A forma como os Informáticos resolvem os problemas é deliciosa. “Oh António, sei lá o que se passou agora…simplesmente ficou assim, mudo e quieto. Não percebo!” “ Júlia…já DESLIGASTE  e VOLTASTE A LIGAR?”
E é assim, com um simples clicar de botão que se volta a respirar e o trabalho consegue-se finalmente gravar. E quantas vezes é que isto aconteceu? Muitas!!!
DESLIGAR e VOLTAR A LIGAR.  Às vezes a sobrecarga é demais, os circuitos sobreaquecem e outras vezes “olha…deu erro…não se percebe bem o que aconteceu”. E se os circuitos humanos não são tão simples quanto isso, por vezes é mesmo tudo demais: as relações, os desafios, o trabalho, o dinheiro, a falta dele. Deu erro. E não se percebe bem o que aconteceu até porque cada um lá anda a fazer a sua parte o melhor que consegue e mesmo assim dá erro muitas vezes.
DESLIGAR e VOLTAR A LIGAR. Se fosse possível fazê-lo… Mas a verdade é que dá. Cada um lá terá a sua forma de desligar e voltar a reprogramar-se:
·         Ficar no silêncio sem a-b-s-o-l-u-t-a-m-e-n-t-e nada: desligar o telemóvel, tv, tudo o que seja aparelho eletrónico e mexa. Quando as energias estiverem repostas, volta-se a ligar para o mundo. E às vezes são apenas 30 minutos a algumas horas.
·         Cometer a chamada maluquice saudável: dançar, cantar aos altos berros para os vizinhos do quarteirão da frente terem assunto de conversa “Ai aquela tresloucada, eu sempre te disse Marco António, ela tem ar de … olha, olha Marco António lá está ela a saltar em cima do sofá!!! Ai, valha-me Deus!”
·         Respeitar vontades: tão fácil de fazer aos outros. Tão difícil de fazer ao próprio. Se não apetece porque já não se aguenta nem mais um pouco, então não se faça. Proteção do próprio, proteção face aos outros.
·         Afastar das sanguessugas. Todos os que por bem ou por mal, retiram-nos energia onde já não há. Se não há, não se gastam das reservas nem se fica com saldo negativo. Não é isso que tanto economista fala em época de crise? A Economia surge para nos servir e não o contrário por isso é pô-la em prática.

Se tudo isto não funcionar é pedir ajuda à seria e a quem pode, durante uns tempos, para nos levar ao colo. E o botão cá dentro…esse, mais cedo ao mais tarde vai ter que sossegar e voltar a ligar. Se os senhores da Informática dizem que resulta temos que dar algum crédito J.


A Mudança


Caixas, caixotes. Muitos empilhados. Parece que roupa e objectos pessoais crescem na proporção inversa da vontade de os arrumar.
Ciclicamente acontecem mudanças maiores. Mudanças que implicam caixotes grandes que dizem por fora Mistura de Pão Centeio, mas que lá dentro escondem pedaços de vida. E no meio das mudanças perdem-se sempre coisas. Ficam perdidas nas viagens de um sítio para o outro, esquecidas entre carros e carrinhas de mudanças. Depois há também o que se parte e que provoca, em quem lhe pega, um sorriso amarelo (muito amarelo!) de paciência…o que fazer?! No meio disto tudo, e depois de se desempacotar e desencaixotar os tais pedaços de vida e história, há que colocar tudo no lugar. Desta feita um lugar novo, a respirar a tinta e a esperança de um novo recomeço. Ciclicamente é assim.
As mudanças de casas são assim como as tantas outras mudanças que acontecem a todos: empacota-se, perde-se, parte-se e depois, tenta-se reorganizar o que ficou. Mudanças. Mexem cá por dentro, por vezes bem fundo. Esgotam e cansam. Fica a doer o corpo e a alma porque obrigam a mexer quando não se queria mas a mudança existe para isso mesmo, mudar de sítio para um sítio desconhecido que não se sabe muito bem como vai terminar. Vale neste processo a constância das pessoas boas que nos acompanham e fundamentais para que se parta e perca o menos possível. O que lá ficou, ficou. De uma forma ou outra, o espaço será preenchido porque essa é a tendência do Universo: preencher os espaços vazios.
E depois deste longo silêncio aqui no blog porque a mudança era inevitável, fica a vontade dos textos que aí vêm! Dos pensos rápidos já pensados há muito entre uma caixa e outra e que só o tempo não deixou que passasse para o papel. E das trocas de opiniões. As vossas. Que bom! Até já.


Teoria dos 10 minutos

A chamada rapidinha na vida é uma espécie de fast-prazer. Promete emoções fortes e instantâneas sem grande prejuízo para o resto do funcionamento diário. Seja num programa de TV ou com uma sandocha rápida, o fast-prazer não é o ideal mas é o possível. 

"- Ó mãe vem brincar comigo! 
 - Já te disse que não dá! Quem é que vai passar a montanha de roupa que está ali a chamar-me?
 - O mãe...mas era só um bocadinho... vá lá..."

A quantidade de coisas acumulam-se e torna-se impossível encaixar mais uma. Mas o que são 10 minutos? Segundo Einstein e a teria da relatividade, se nos sentarmos em cima de um fogão aceso, uma eternidade, se estivermos a namorar, parece muito pouco!

Então...10 minutos depende muito do que estamos a fazer. O tempo afinal não é assim tão certo, nem exato. Por isso, será que não se arranja MESMO 10 minutos diários para:

  • Brincar com filhos: é sentar, pegar nos carros e simular duas voltas de corridas à sala; ou acabar de alimentar as bonecas preferidas;
  • Namorar: dar a mão, fazer uma festa ou meiguice, enviar um sms, dar um beijo demorado;
  • Falar com alguém e ouvir de forma sincera e genuína, seja por telefone ou frente-a-frente;
  • Sentar-se e não fazer nada, antes de começar a fazer tudo.
Será que não há mesmo 10 minutos? Na prática, depois de arrancar até se acaba por gastar mais porque todo o mal é começar...

Que sejam então 10 minutos para arrancar. Se não der para mais, não deu mas que esse tempo seja realmente aproveitado. Apenas 10 minutos com os seus filhos, companheiro/a, amigos...de certeza que não se arranja?

É experimentar. 10 minutos. Só isso. Até para ler um blog ;)







O prazer e outras coisas que tais

Os dias estão mais ou menos cheios de obrigações, rotinas e hábitos. Alguns impostos pelos outros, outros impostos pelos próprios indivíduos num ato quase sado-masoquista. (Não será para todos incluir na mesma frase a palavra imposto e sado-masoquista...se bem que sempre que se vê a palavra imposto há um certo sofrimento que surge. Adiante.)

O trabalho diário, dá prazer mas também tem o seu quê de obrigatoriedade em termos de horários e deveres. Pelo menos para a maioria, claro! Porque há pessoas que fazem do seu trabalho uma fonte de prazer, infligindo gritos aos outros e tal desconcertação de sentidos que leva esses outros à loucura... Não, não estou a falar da classe política! Nem das/dos profissionais do sexo. Há um certo grupo de pessoas que, por exemplo, passam a vida a viajar e ganham com isso dinheiro, alimentando o seu vício de uma forma estruturada. Este grupo está, certamente muito perto de um dos pólos de prazer diário.

Depois há também os comuns dos mortais que estando inseridos na máquina diária do trabalho-casa-família-amigos-etc. aguenta com uma carga históica de coisas cinzentonas. No outro dia a despachar pequenas compras num supermercado, fazendo contas e mais contas à carteira e à vida, reparei no ar generalizado por quem ali passava, que pareciam todos prémios Nobel dos milagres: o milagre de fazer comida com pouquissimos recursos, o milagre de esticar um orçamento como se fosse elástico ultra-resistente, o milagre de seguir em frente, mesmo que tal implique uma série de reajustos diários. Prémio Nobel dos Milagres.

O certo é que a par desses milagres que há que fazer diariamente, para além de todas as obrigações, que só por si cansam e fazem rugas dignas de cirurgias plásticas e doses maciças de botox, é importante o prazer. Diário e gratuito. Apenas o prazer.

O prazer de se rebolar no chão a rir.
O prazer de cantar aos altos berros dentro do carro.
O prazer de cometer uma loucura por alguém de quem se gosta muito.
O prazer de estar no sofá, aconchegado a ver aquela série ou filme com uma caixa de bolachas ou clinexs ao lado (e porque não as duas?!).
O prazer de uma revista de decoração.
O prazer físico e de sentimentos com alguém.
O prazer de uma fatia de bolo de chocolate recheada com creme de leite condensado e coco.
O prazer...das coisas simples e boas. D-i-a-r-i-a-m-e-n-t-e.

É o que me parece. Temos pouco prazer. Quando se chega ao fim do dia e feito o balanço do que por ali se viveu, às vezes esquecemo-nos dos pequenos prazeres da vida. Pelo menos um por dia.

Entre mais dois ou três que tive o prazer de ter hoje, termino o dia com este prazer imenso que é a escrita partilhada no Blog. E hoje, foi passada a meta das 1000 visualizações! Um prazer imenso escrever aqui. Bem haja a todos :)

P.S.: Um beijo especial à T.T. Por acreditar comigo.


No silêncio...

"Pshiu! Faça-se silêncio...que preciso de me ouvir. Ouvir o que quero e sinto. É tanto o barulho e ruído de vozes e aparelhómetros que deixei de saber o que preciso. O que realmente preciso.
Fecham-se as portas, apagam-se telemóveis, tv´s e outros que tais, e ouve-se ... nada! Absolutamente nada. E uma voz surge, não do além mas do aquém, de dentro que fala primeiro em surdina e depois lentamente dá a conhecer o que realmente se precisa para andar para a frente. Pshiu! Cala-te voz que diz o que fazer para o jantar, os muitos esquemas complexos de horários e trabalho. Pshiu...por favor, só mais um pouco. Sossega para respirar uma e outra vez. Pshiu...e quase a dormir se compreende que, às vezes só se precisa de parar um pouco e deixar o arroz queimar. Que se lixe o arroz, o esparguete e já agora todo o supermercado.

Só um pouco de silêncio para se ouvir a voz da razão do que realmente se quer e faz falta. Esquecendo por uns segundos, minutos ou horas dos outros, para saber de si e ser sabiamente egoísta de si próprio. Pshiu...só mais um pouco..."

E é assim, que no meio de um lamento, um desabafo cuspido se descobre que é preciso parar. As verdades normalmente estão lá, algures no meio do caos diário e de muito, muito barulho. Às vezes exterior, outras vezes no meio das muitas vozes semi-esquizofrénicas que temos dentro de nós e que dão pouco sossego. Pshiu... que fale quem realmente nos conhece e sabe o melhor para nós: o nosso interior. No silêncio...





Marmita e outras histórias

Levanta-se quase todos os dias pelas 6h. Ainda mal amanheceu e já tratou de mais uns quantos afazeres, deixa tudo orientado para o seu pequenote e antes dos homens lá de casa se levantarem, já ela está a sair para o trabalho.

Um trabalho digno, a que se dedica com muito profissionalismo. Um trabalho que não lhe paga há uma série de meses. Sim, porque ela vive do ar, fazendo concorrência à fotossíntese diária das plantas lá de casa. É ver quem respira mais...ar! Uma série de embrulhadas de lei não lhe permitem bater simplesmente com porta na cara daqueles senhores. Se é que se pode chamar senhores. 

E de forma a reduzir custos, leva os seus lanchinhos, a sua marmita de almoço. Que dá trabalho a preparar, precisa de organização e gestão doméstica. Mais uma vez. O resto da "maltinha" de lá, não se percebendo bem como, continua a poder comer fora todo o santo dia. Às vezes fazemos companhia uma à outra, por telefone, entre uma colher de sopa e uma garfada de salada. Rindo e fazendo rir para alegrar o ambiente cinzentão.

Até aqui nada de novo. O que gostei e que caracteriza a querida D. é a capacidade de resistência, de ver de outra forma algo que nem dá assim muita vontade de rir. Foi por isso mesmo, que no outro dia, e após uma visita da medicina do trabalho foi a única que teve os resultados do colestral baixos.

" - Ah...é por isso é que trazes todos os dias a marmita de casa?
- Claro, já viram o BEM que me faz à saúde?
- Pois, realmente...e nós a comer os pastelinhos, rissóis e outros que tais."

A verdade não será bem esta, embora a consequência seja positiva. A minha amiga D. é uma lutadora. Sempre foi. Conheço poucas pessoas que depois de levarem com toda onda na cara, se consigam levantar, mesmo a rastejar, para aproveitar o sol da praia. E ela já levou muitas e sérias. Ao ponto de quase nem conseguir respirar entre elas. Sempre a conheci assim. Por isso foi tão boa a sua resposta. Criou a sua própria história.

Às vezes, é preciso criar a história no momento para proteger de quem faça mal. Pelo próprio que merece ser visto e olhado com dignidade. Porque os outros, na maior parte das vezes, não têm nada a ver com a vida alheia. A não ser que gostem muito como Amigo a sério. Como eu gosto da D.


Embalagem por inteira

Há embalagens e pacotes dos mais variados feitios e tamanhos. Vende-se o produto que lá vai dentro e que se espera que seja bom, mas é também muito importante o que se vende por fora. A embalagem. O pacote.

E chateia muitas vezes quando se diz que o interior é que importa, não faz mal ter quilos a mais, o cabelo desgrenhado e a roupa num desatino. Não faz mal se o próprio não se importar. O que é certo é que é bom olhar ao espelho e ver o que lá está. Independentemente dos gostos, apenas olhar e gostar. E aceitar é claro, que o tempo de se achar que precisava de mais uns centímetros de altura e menos uns de largura já lá vai. Cada um é como é. Mas é nesta aceitação do pacote completo, da embalagem de dentro e de fora que é ainda importante batalhar.

Não se pretende aqui alimentar futilidades inúteis. Apenas realçar que as pessoas são várias partes, que se interligam e fazem sentido num TODO. Nem só o que não se vê, nem o que apenas está à vista. Por isso é tão importante ouvir devidamente quando:
  • uma jovem diz que está muito gorda ou magra;
  • uma mulher depois de ter filhos voltar a sentir-se bonita (independemente de ter mais ou menos quilos, de a anca ter ido para sítios que se desconhecia e o peito andar a baloiçar);
  • um homem diz que tem um nariz demasiado grande, ou o cabelo está a cair.
A vaidade q.b. só pode fazer bem. Olhar-se ao espelho e ver o que lá está, aceitar e se possível ir em busca do seu conceito de beleza, que serão tantos, quantas as caras que o reflexo do espelho dê.

Ser bonito por inteiro começa por dentro mas às vezes é preciso começar ao contrário. Naqueles dias cinzentos, uma roupa mais domingueira, maquiagem, sapato alto, camisa engomada...o que funcionar, podem dar um empurrão. E se não resolvem as contas e as aflições do dia-a-dia, pelo menos ajudam a que o pacote ou a embalagem se sinta mais confortável e "venda" melhor o produto. O estarmos no caminho ascendente para o bem-estar.

Como esta embalagem de leite. Catita, não?